A Tabacaria por Álvaro de Campos
A descrença na vida pode ser observada quando ele diz: “Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. / Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer, /E não tivesse mais irmandade com as coisas / Senão uma despedida...” É possível encontrar também uma grande descrença com a sociedade: “E quando havia gente era igual à outra.”
O personagem cultiva uma grande descrença interior, vive angustiado com si mesmo, se sentindo incapaz(“Crer em mim? Não, nem em nada.”) em “Não sou nada./ Nunca serei nada./Não posso querer ser nada./À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo”o poeta mostra toda sua solidão existencial e seu sentimento de vazio além de um grande desapego a tudo.
Além disso, é possível observar que no poema há um contraste entre o mundo exterior e o mundo do poeta. O poema dá a idéia de que o poeta está preso na janela de sua casa e que não se sente confortável em interagir com a realidade concreta. Ele observa os fenômenos de forma quase onisciente. O poema traz a sensação de que o autor está observando e analisando os acontecimentos e não interagindo com ele.
A cena em que ele vê o seu amigo exemplifica esse certo “repúdio” que o poeta sente da realidade. Ele também questiona a sua postura perante a vida e as suas realizações, como se o poema fosse um balanço de sua vida e como se o poeta estivesse perto da morte e no fim de sua existência ele questionasse todas as suas realizações.
Érico de Oliveira e Silva
Um comentário:
Visto.
Postar um comentário